16 de Janeiro, Poesia Matuta - Por Jessier Quirino

Um dos importantes poetas nordestinos dos dias de hoje, chama-se Jessier Quirino. Nascido em Campina Grande-PB o arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Jessier hoje mora em Itabaiana-PB, uma pequena cidade da Paraíba. Ele também tem vários livros e CDs lançados, e uma de suas mais importantes obras é o livro “Agruras da Lata D’Água” (1998). Um livro que abrange vários temas desde política até a vida do matuto e hoje trago um texto do livro citado.

BUQUÊ DO MATO

Buquê do mato tem cravo

Tem fulo de maracá

Tem talo de marmeleiro

Açucena e jatobá

E basta o vento assoprar

Uns dois dedinho de vento

Que todo enxerimento

Que nele se enfiar.


Vê-se farelo de beijo

Que esborra dos beijar

Lindosos brincos que brincam

De ser moça e namorar

Sagradice de desejo

Dexovê de qual o tipo...

Do tipo de nenhum tipo

Que se pode imaginar.


Tem um céu azul-profrundo

Um pó-de-arroz a voar

Good bye de mentirinha

Mode o orgulho quebrar

Blusa de chita no pelo

E três tufos de cabelo

Que loirejam qualquer mar.


Um bordado de caçola

Que ameiga o coração

O gráfico de um olhar

Num preto-e-branco em retrato

Se vê um buquê do mato

Do mato do meu sertão.


A “acontecença matuta” apresentada nas poesias de Jessier Quirino mostra a verdadeira imagem do nordeste, principalmente de que o sertão é uma terra sofrida, mas, que mesmo assim é uma terra boa de viver.

QUIRINO, Jessier, Agruras da lata d’água. Recife: Bagaço, 1998.

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