Um dos importantes poetas nordestinos dos dias de hoje, chama-se Jessier Quirino. Nascido em Campina Grande-PB o arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Jessier hoje mora em Itabaiana-PB, uma pequena cidade da Paraíba. Ele também tem vários livros e CDs lançados, e uma de suas mais importantes obras é o livro “Agruras da Lata D’Água” (1998). Um livro que abrange vários temas desde política até a vida do matuto e hoje trago um texto do livro citado.
BUQUÊ DO MATO
Buquê do mato tem cravo
Tem fulo de maracá
Tem talo de marmeleiro
Açucena e jatobá
E basta o vento assoprar
Uns dois dedinho de vento
Que todo enxerimento
Que nele se enfiar.
Vê-se farelo de beijo
Que esborra dos beijar
Lindosos brincos que brincam
De ser moça e namorar
Sagradice de desejo
Dexovê de qual o tipo...
Do tipo de nenhum tipo
Que se pode imaginar.
Tem um céu azul-profrundo
Um pó-de-arroz a voar
Good bye de mentirinha
Mode o orgulho quebrar
Blusa de chita no pelo
E três tufos de cabelo
Que loirejam qualquer mar.
Um bordado de caçola
Que ameiga o coração
O gráfico de um olhar
Num preto-e-branco em retrato
Se vê um buquê do mato
Do mato do meu sertão.
A “acontecença matuta” apresentada nas poesias de Jessier Quirino mostra a verdadeira imagem do nordeste, principalmente de que o sertão é uma terra sofrida, mas, que mesmo assim é uma terra boa de viver.
QUIRINO, Jessier, Agruras da lata d’água. Recife: Bagaço, 1998.
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