22 de Novembro de 2012. Saudades do Recife, nas ruas de Antonio Maria

Pra falar de Carnaval e não citar Antonio Maria é falar de forró e não lembrar gonzagão. Segundo o mesmo "no Recife, o Carnaval começava no Natal. Ou melhor, não havia Natal no Recife. A 24 de dezembro, os blocos saíam à rua, com suas orquestras de trinta a quarenta metais, seus coros de vozes sofridas, a tocar e a cantar as “jornadas” mais líricas." Enquanto moviam-se as pessoas com pastoris, sempre terminavam nas vassourinhas.
No momento em que o som se rompia no frevo, o Recife tremia ao passo do frevo, "Tão louca e tão bela, aquela dança! Uma verdade maior que as verdades ditas ou escritas saía dos seus quadris, até então bem-comportados." Até quem não podia saia ao passo de um belo frevo.

Para encerar esse post deixo aqui as palavras do nosso poeta, cronista e jornalista, mas principalmente nordestino Antonio Maria:
 

Antonio Maria
"Tudo deve estar mudado. O Carnaval do Recife talvez não seja, hoje, um desabafo. Talvez não contenha aquele desafio de homens e mulheres, livres de todas as sujeições(...) É possível que se tenha transformado numa festa, simplesmente. Talvez seja alegre e isto é sadio. Mas os meus carnavais eram revoltados. Não tenho a menor dúvida de que aquilo que fazia a beleza do carnaval pernambucano era revolta – revolta e amor – porque só de amor, e por amor, se cometem gestos de rebeldia.
Muitas vozes, de madrugada, o menino acordava com o clarim e as vozes de um bloco. Eles estavam voltando. O canto que eles entoavam se chamava “de regresso”. Não sei de lembrança que me comova tão profundamente. Não sei de vontade igual a esta que estou sentindo, de ser o menino que acordava de madrugada, com as vozes de metais e as vozes humanas daquele Carnaval liricamente subversivo.

Meu quarto era de telha vã. Minhas calças, brancas. Meus sapatos, de tênis. Meu coração, inquieto. E nada tinha sido ainda explicado."



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